Nordeste lidera entre as regiões com maiores índices de desvios e corrupção envolvendo distribuições de Emendas por parte de deputados, assessores, prefeitos, laranjas e até filhos de prefeitos.

Ao todo, foram pagos R$ 31,5 bilhões em emendas impositivas ou discricionárias — quando não há obrigatoriedade de pagamento por parte do governo. Emendas parlamentares são recursos reservados no Orçamento que são executados conforme indicações de deputados e senadores. Elas representam uma parte cada vez mais significativa do Orçamento da União. São recursos que os parlamentares destinam a seus redutos eleitorais para a realização de obras e projetos.
Ao todo, foram pagos 67% das emendas empenhadas, R$ 47 bilhões, que por sua vez, foram empenhados quase na totalidade do que foi autorizado, R$ 48,5 bilhões. Inicialmente o orçamento da União para 2025 previa R$ 50 bilhões, mas o valor foi reduzido ao longo do ano.Entre as emendas pagas, a maior parte delas foram impositivas (83,1%). Foram R$ 19,9 bilhões para emendas individuais, que levam o selo de classificação de cada um dos parlamentares que fizeram as indicações e outros R$ 6,3 bilhões em emendas das bancadas estaduais. Outros R$ 5,3 bilhões foram pagos em emendas não obrigatórias, de poder das comissões temáticas do Congresso. Elas também foram as emendas com o menor percentual de pagamento neste ano, 47,4%.
Entretanto, apesar da baixa execução de pagamentos, o governo empenhou quase a totalidade das emendas de comissão previstas no orçamento, R$ 11,2 bilhões (98%). Assim, tudo que foi empenhado e não foi pago devem ser reclassificadas como “restos a pagar” e poderão ser pagas nos próximos anos.
SEGUE O FIO:
Nordeste lidera entre as regiões com maiores recebimentos e índices de desvios e corrupção envolvendo distribuições de Emendas por parte de deputados, assessores, prefeitos, laranjas e (até filhos de prefeitos) que operam esquemas dentro de prefeituras oferecendo eventos e shows artísticos públicos com cantores famosos de forró. A multiplicação das apresentações não se limita à geografia. Há um padrão de valores fixos, cronograma sobreposto e fornecedores únicos. No total, a reportagem identificou, entre 25 emendas, pelo menos quinze contratos com um perfil recorrente: fornecedor exclusivo, artista repetido, valor idêntico, datas sobrepostas, justificativas padronizadas e, em todos eles, a assinatura de três deputado federais (um deles cearense já investigado com Foro Privilegiado no STF) como autor da emenda. Trata-se de um modelo de negócios quase perfeito e perfeitamente invisível ao olhar do cidadão comum.
A ENGRENAGEM DO SHOW:
Todos os contratos seguem um roteiro burocrático tão previsível, quanto eficiente: tudo começa com uma emenda individual do deputado federal, que destina recursos diretamente à seus municípios aliados (tudo articulado por filhos e sobrinhos de prefeitos). Em seguida, o processo é instruído com a justificativa de que o artista contratado possui “relevância cultural”, uma expressão genérica que tem servido como senha para dispensar a licitação, seja com base no Artigo 25 da antiga Lei nº 8.666/93 ou no Artigo 74 da nova Lei nº 14.133/2021.
Os valores empenhados costumam girar entre R$ 50 mil até R$ 1 milhão, sempre com contratos firmados em municípios pequenos, de baixa capacidade fiscalizatória e escassa visibilidade pública. A engrenagem do esquema gira com fluidez: a verba sai do orçamento, passa pelo crivo formal da Câmara dos Deputados, entra na conta das empresas contratadas e financia o show como uma verdadeira lavanderia de dinheiro publico, indo direto desviado para o bolso do deputado, prefeito e laranja. O que muda é apenas o nome da cidade. O resto — artista, valor, justificativa, execução — segue a mesma partitura. Em comum, todos os caminhos levam ao mesmo destino: dinheiro público canalizado para os mesmos fornecedores e os mesmos nomes artísticos, repetidos como uma marchinha de carnaval que só muda o refrão, mas que nunca sai do tom.












