Cada vez mais disputados, evangélicos rejeitam campanha nos púlpitos. Pesquisa revela que 75% dos evangélicos rejeitam campanha eleitoral nas igrejas.

O pré-candidato ao Governo do Estado, Ciro Gomes (PSDB), tem um perfil de centro-esquerda e historicamente mantém uma postura de defesa do Estado laico com duras críticas aos evangélicos. Durante a pandemia, o ex-ministro defendeu que pastores e padres fossem presos por descumprirem medidas de isolamento social.
Mantendo suas articulações no Ceará, Ciro também já foi visto em reuniões políticas locais ao lado de figuras de destaque da bancada evangélica, como a deputada estadual Dra. Silvana e o deputado federal Pastor Jaziel. Recentemente o casal foi responsável por levar Ciro Gomes para participar politicamente da Convenção Geral das Assembleias de Deus do Estado. Na ocasião o pré-candidato foi recepcionado pelo Pastor Presidente João Gonçalves, e ao mesmo tempo recebeu uma enxurrada de críticas nas redes.
Leia algumas delas;
“Um irmão disciplinado não estaria no púlpito, um membro não batizado também não, mas um sim, pelo fato de aliança política. Isso é um tipo de prática que a igreja deve condenar veementemente, independentemente de quem seja e de que lado seja o político. Essa aliança é a fermentação de Herodes, que Jesus alertou”, disse um membro da Assembleia de Deus.

“Apesar de ser assembleiano desde o berço e considerar Ciro a única opção aparentemente viável contra atual conjuntura politica do nosso Estado, colocá-lo em meio púlpito é extremamente vexatório. O cristão deve posicionar-se politicamente, sim, mas o púlpito não deve ser palanque político. Ademais, sei que todos estamos fadados a errar, mas usar as igrejas como massa de manobra, como estes deputados e muitos pastores do nosso Estado fazem ano após ano não é aceitável”, escreveu outro fiel.

O evento gerou reações diversas e negativas, entre muitos evangélicos, que classificaram o momento como “a idolatria e o messianismo” em relação a políticos. Um estudo do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Representação e Legitimidade Democrática (INCT ReDem) revela que, embora a politização das igrejas evangélicas seja uma realidade, a maioria dos fiéis rejeita essa prática.
Os dados coletados em fevereiro de 2026, mostram que 34,1% dos pastores apoiaram candidatos nas eleições municipais de 2024, uma proporção significativamente maior do que entre católicos, que foi de 16,9%. Apesar de um terço das igrejas brasileiras envolverem-se na política, 75,2% dos evangélicos se opõem a campanhas eleitorais durante os cultos. O estudo também indica que a politização pode influenciar o voto, com evangélicos de igrejas politizadas tendo 7 pontos percentuais a mais de votos em Bolsonaro em 2022.
Entretanto, a presença excessiva da política nas igrejas parece estar contribuindo para a desaceleração do crescimento evangélico, que foi de 5,2 pontos percentuais em 2022, e o aumento do número de desigrejados.












