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OPINIÃO: A Copa não é sua. E ainda assim dá para vender mais nela


Por: Lucas Vieira, fundador da 2P Treinamentos, consultoria de treinamento e gestão comercial, e Vice-Presidente de Relações Institucionais da ADVB-CE.

A bola rolou. Por 39 dias e 104 jogos, a atenção do Brasil tem dono. A CNC projeta R$ 4,32 bilhões extras no varejo durante o Mundial. Mas olhe de perto: quase 70% disso vai para alimentos e bebidas. Cerveja, petisco, camisa, churrasqueira. Se o seu negócio não é nada disso, a Copa não é vento a favor. É vento contra.

LUCAS

Aqui no Ceará, o varejo entrou em 2026 acima da média nacional e Fortaleza abre milhares de empresas por mês. O ambiente é bom. Mas ambiente bom não distribui atenção por igual. Enquanto o bar e o supermercado faturam o “segundo Natal”, a imobiliária, a indústria, a clínica e a empresa de serviço veem o cliente sair da mesa de negociação para a frente da TV.

Diante disso, a reação costuma ser uma de duas. Sumir, na esperança de “deixar passar”. Ou gritar mais alto: postar mais, anunciar mais, baixar preço para furar o ruído. As duas perdem. Quem some é esquecido. Quem grita vira mais barulho dentro do barulho.

Quem vende fora do óbvio nesse período faz diferente. Primeiro, entra no jogo em vez de negá-lo: usa a Copa como ponte, não como inimiga. O cliente está mais leve, mais sociável, mais aberto. Fale a língua do momento. Segundo, troca a espera pela iniciativa. Quem aguarda o cliente chegar, perde. Quem prospecta, agenda e conduz, colhe. No mês mais disperso do ano, quem toma a iniciativa larga na frente.

E terceiro, o ponto que mais incomoda: aperta a régua da gestão justamente quando todo mundo afrouxa. Porque é isso que a Copa revela. Atenção dispersa não cria o problema, ela expõe a operação sem rotina. Sem rito, a reunião não acontece e a meta se dilui no “depois da Copa”. O que sustenta resultado em mês difícil não é fôlego individual. É gestão perto do time, cadência cobrada de perto e ritual de acompanhamento que não cai. Onde o desorganizado vê motivo para afrouxar, o time bem conduzido vê motivo para apertar o passo.

A Copa acaba em 19 de julho. O que vai separar quem cresceu de quem só assistiu não é o setor. É quem tinha método e quem improvisou.

Venda não se improvisa. Se constrói.