Brasil

Macroeconomia recoloca títulos de renda fixa no jogo

Se o foco é longo prazo para o investidor, a reserva de emergência é mais do que essencial, reconhecendo nossa incapacidade de prever o futuro.

Alguns eventos podem parecer óbvios, mas o timing e impacto que causam no seu patrimônio são difíceis de prever -, a consequência lógica é que a volatilidade de curto prazo não deveria ser um problema. E pensando nisso é que os títulos de renda fixa voltam ao radar dos investidores no sentido de garantir rentabilidade e segurança. Já que o mercado estima a taxa de juros até o final desse ano em 5% e para 2022 em até 8%.

A responsável por essa alteração de cenário é a macroeconomia. Ela funciona como um a correnteza do mar. Se o seu barco estiver na mesma direção, ele vai chegar rápido e com pouco esforço. Caso contrário, mesmo remando, empreendendo esforço, não sairá do lugar. Assim é seus investimentos sendo impactados pela macroeconomia.

Antes da crise do coronavirus, vários governos pelo mundo, em especial nos Estados Unidos, atuavam para controlar as crises com políticas de estímulos monetárias que acabava fortalecendo o acumulo de riqueza e não atacando os problemas estruturais da economia. Em 2020 agiram de forma diferente, colocando trilhões de dólares nas mãos das pessoas de baixa renda através de estimulo fiscal – ação também realizada no Brasil -, o que produziu a recuperação econômica mais rápida da história dos EUA. Números que refletiram diretamente no PIB, taxa de desemprego, vendas no varejo e produção industrial, inclusive recuperação dos mercados.

Com esse cenário os governos tendem em dado momento retirar os estímulos de consumo. Isso significa programa de venda de títulos públicos e aumento da taxa de juros. Refletindo de imediato na curva curta dos juros movida pelos riscos de longo prazo no resultado das empresas. Os primeiros a serem forçados a fazer isso são as economias que já se recuperaram em parte dos impactos da crise. E isso acende um sinal de alerta com a possiblidade de mais fuga de capital estrangeiro da Bolsa brasileira.

Uma alternativa é garantir no seu portfólio ações dolarizadas. Que tem relação direta com mercado internacional e tem seus custos em reais, que sofre nesse momento, forte pressão cambial em detrimento da moeda americana. Esse tipo de ativo tende a desempenhar função de proteção por ter capacidade de se valorizar, mesmo com cenário doméstico em queda.

Pedro Henrique Alcino – Especialista em Investimentos e Private Bank