Ceará

Editorial / Governo perde a guerra contra a violência no Estado

Em ano eleitoral, governador Camilo Santana (PT) enfrentará o seu maior desgaste político, após presenciar a falência de seu plano, o (‘Ceará Pacífico’), e vê-lo desmoronar diante do descontrole do alto índice de criminalidade e assassinatos no Estado. 

Mais 17 mortes são registradas em Fortaleza em menos de 12 horas, governo nega perder o controle. Somando às mortes ocorridas na maior chacina registrada no Ceará, na noite de sábado (27), foram pelo menos 28 assassinatos na capital durante o fim de semana. Dentre elas, duas pessoas assassinadas em um luau no Cumbuco, uma mulher morta no Bairro Granja Portugal, e outras duas no Bom Jardim. O Ceará atravessa o maior massacre da história do Estado com mais de 5.350 assassinatos em tempo recorde.

Chacinas impõem medo e silêncio a comunidades. Crimes ocorridos nos últimos dois anos deixaram, junto com os múltiplos assassinatos, o clima de medo e a imposição do silêncio nas comunidades. Guerra entre facções é apontada como principal causa. O Estado não deveria estar tendo o controle dos tenebrosos episódios?

Para o presidente do Conselho Estadual de Segurança Pública, Leandro Vasques, o ‘Plano Ceará Pacífico’, apresentado por Camilo Santana, como mecanismo para combate e redução à violência, falhou, e que o governo não tem conseguido conter de forma efetiva a ação das facções criminosas. “Este caos em si é uma tragédia anunciada, porque há tempos o Conselho vinha alertando o Governo de que medidas tinham que ser tomadas junto às facções, mas nada é feito”, finaliza Vasques.

As chacinas expõe Estados paralelos e mostra Fortaleza na iminência de guerra urbana. A chacina no bairro Cajazeiras é o ponto máximo de situação que se arrasta há mais de um ano. Há pequenos Estados paralelos instaurados, e eles estão se fortalecendo. Essa foi a maior, mas não a única chacina dos últimos anos. O recorde de maior já registrada no Estado havia sido batido há dois anos e três meses e foi novamente superado agora. Nos últimos 12 meses, foram oito crimes do tipo com pelo menos quatro mortos, todos na Região Metropolitana de Fortaleza. A média é de uma chacina a cada um mês e meio. No total, morreram 46 pessoas.

Não há motivos para pânico e terror. Isso foi um caso isolado e estamos no controle“, é o que diz o Secretário de Segurança Pública do Estado, André Costa. A fala do chefe responsável pela segurança do Estado, balançou as redes sociais no fim de semana. Críticas contundentes, apontam que o governo não agrada a maioria dos cearenses ao perder o rumo no controle da violência no Estado.

O caso da ‘Chacina das Cajazeiras’, foi um verdadeiro ataque terrorista, apesar do Estado não reconhecer. As vítimas foram sendo escolhidas aleatoriamente, sem alvos específicos: vendedores ambulantes, seguranças, motoristas da Uber, criança e frequentadores do forró, foram vítimas inocentemente. Não resta dúvidas, o Estado omitiu-se por um longo período, maquiando possíveis planos de Segurança Pública que de fato, nunca deram certos. Quantos inocentes ainda terão de morrer?

Amanda Souza / Jornalista