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Cafés especiais ampliam mercado, Fortaleza se destaca no nordeste com o consumo gourmetizado

Cultivo e produções especiais podem aumentar o mercado e agregar valor a um dos produtos mais tradicionais da lavoura brasileira. Apesar do avanço, especialistas apontam que mercado ainda se limita por medida de proteção fitossanitária.

Quem gosta de café conhece bem a diferença que o grão escolhido faz no sabor da bebida. Existem dois tipos de grãos que podem ser usados na produção do café: Arábica (Coffea arabica) e Robusta (Coffea canephora). Ambos apresentam inúmeras variações, todos com aroma e sabor especiais.

O café é a bebida mais consumida no mundo, depois da água in natura. Ele é preparado a partir dos grãos torrados (semente do fruto do cafeeiro, que é um arbusto) e depois moídos, que podem ter moagens diferentes para cada método de preparo (filtrado, espresso, prensa francesa etc.). Mas será que é possível fazer café sem utilizar a matéria-prima principal, que são os grãos de café? Dois americanos, um cientista e outro empreendedor, afirmam que sim, é possível fazer café sem utilizar os grãos.

O cultivo e a produção de cafés especiais podem aumentar o mercado e agregar valor a um dos produtos mais tradicionais da lavoura brasileira. A expansão potencial ocorrerá, ainda mais, se o país vender mais café industrializado e reverter a tendência de comoditização das exportações.

Conforme sumário executivo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o Brasil exportou 34,1 milhões de sacas de café (60 kg) no ano passado. Cerca de nove a cada dez sacas vendidas foram de café verde (em grãos não torrados). A comercialização de café torrado e solúvel é pouco superior a 10% do total.

“A gente perdeu muito espaço no café processado no mundo”, observa. “Deixamos o bonde da industrialização e da gourmetização do café, muito por conta do fechamento do mercado brasileiro de grãos”, aponta o responsável pela pasta, Ivan Sousa.

O fechamento do mercado brasileiro para grãos produzidos em outros países é medida de proteção fitossanitária para evitar a contaminação da lavoura brasileira com pragas que possam entrar no país por meio de grãos importados. Estudo do Ipea contabiliza, no entanto, que a medida tem como efeito gerar uma barreira não tarifária que aumenta o custo do grão importado em 13,61%.